Focus sobe a inflação de 2026 para 4,99% pela segunda semana seguida, e mesmo assim mantém um corte de juros até dezembro
Inflação projetada em 4,99% para 2026, a um centésimo de 5%. Selic projetada em 13,50% para dezembro, contra 13,75% hoje. O mercado subiu a inflação e não mexeu no juro, e a distância entre esses dois números é o dado da semana.
Fran Romancini
Educadora Financeira · CPA-20 · 20 anos no sistema financeiro
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O que aconteceu
Nesta segunda-feira, 28 de setembro, o Banco Central divulgou o Boletim Focus, a pesquisa semanal com as projeções de bancos e casas de análise para os principais indicadores da economia. A mediana para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, a inflação oficial) de 2026 subiu de 4,92% para 4,99%, a segunda alta seguida. Quatro semanas atrás, a projeção estava em 5,01%, caiu, e agora voltou a subir depois que a prévia da inflação de setembro veio em 0,70%, acima de todas as estimativas. Para 2027, a mediana foi de 4,30% para 4,31%. Para 2028, segue em 3,80% pela nona semana.
O número que importa
A projeção da Selic para o fim de 2026 ficou em 13,50% ao ano, sem mudança. A taxa hoje é 13,75%. Ou seja, o mercado continua contando com mais um corte de 0,25 ponto até dezembro, nas duas reuniões que faltam do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), em novembro e dezembro. Para 2027, a mediana segue em 12,00%, parada há 15 semanas. O PIB (Produto Interno Bruto, a soma de tudo o que o país produz) de 2026 foi revisado para baixo, para 1,86%, e o dólar de fim de ano segue em R$ 5,20, também há 15 semanas.
O contraste está aí: a inflação projetada subiu duas semanas seguidas e encostou em 5%, acima do teto da meta de 4,50%, e a projeção de juros não subiu junto. O mercado leu o IPCA-15 de setembro como um choque concentrado na conta de luz, com o fim do bônus de Itaipu, e não como uma mudança de tendência que exija juro mais alto por mais tempo.
O que isso muda no seu bolso
Duas leituras convivem nesse boletim, e as duas afetam quem tem renda fixa. A primeira: se o corte de dezembro vier, o CDI (indicador que acompanha a Selic dia a dia) fecha o ano abaixo de 13,50%, e o rendimento de tudo que é pós-fixado cai junto. A segunda: com a inflação projetada em 4,99%, o ganho real, o que sobra depois de descontar a inflação, de um CDB (Certificado de Depósito Bancário) a 100% do CDI encolhe pelos dois lados, juro menor e inflação maior. É por isso que o pós-fixado, que rendeu muito bem no ciclo de alta, começa a pedir uma conta mais cuidadosa de agora em diante. O artigo de hoje no cluster Comparar faz exatamente essa conta, IPCA+ contra CDI, em dois e três anos.
Fontes
- Boletim Focus de 28 de setembro de 2026, medianas para IPCA (2026, 2027 e 2028), Selic, PIB e câmbio: Banco Central do Brasil, via InfoMoney e Exame.
- Selic em 13,75% ao ano, decisão do Copom de 16 de setembro de 2026: Banco Central do Brasil.
- IPCA-15 de setembro de 2026, alta de 0,70%: IBGE, 25 de setembro de 2026.
- Meta de inflação de 3,00% ao ano com tolerância de 1,50 ponto: Conselho Monetário Nacional (CMN).