Prévia da inflação sobe 0,70% em setembro, acima de todas as estimativas, e a conta de luz responde por mais de 40% da alta
Energia elétrica 7,42%, passagem aérea 9,82%, tomate 20,76%. A prévia da inflação de setembro ficou em 0,70%, quando a estimativa mais alta do mercado era 0,66%. Em 12 meses, 4,47%, a três centésimos do teto da meta.
Fran Romancini
Educadora Financeira · CPA-20 · 20 anos no sistema financeiro
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O que aconteceu
Nesta sexta-feira, 25 de setembro, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou o IPCA-15 de setembro, a prévia da inflação oficial, calculada com preços coletados entre a metade de agosto e a metade de setembro. O índice subiu 0,70% no mês. A mediana das projeções do mercado era 0,53%, e nenhuma casa de análise havia projetado mais do que 0,66%. Os nove grupos de despesa pesquisados subiram. No ano, o IPCA-15 acumula 3,82%. Em 12 meses, 4,47%, contra 4,24% nos 12 meses imediatamente anteriores.
O número que importa
O teto da meta de inflação é 4,50% ao ano (centro de 3,00%, com tolerância de 1,50 ponto para cada lado). O acumulado de 4,47% fica a três centésimos dessa linha. E o salto de setembro tem endereço: a conta de luz. A energia elétrica residencial subiu 7,42% no mês, o maior impacto individual do índice, 0,29 ponto percentual dos 0,70%. Em agosto, ela tinha caído 6,25% por causa do bônus de Itaipu, um desconto extraordinário aplicado nas faturas. O bônus acabou, o desconto saiu da conta, e o preço voltou ao patamar normal de uma vez.
Item por item
O que puxou o IPCA-15 de setembro
| Item ou grupo | Variação no mês | Impacto no índice |
|---|---|---|
| Energia elétrica residencial | +7,42% | 0,29 ponto |
| Grupo Habitação | +2,07% | 0,31 ponto |
| Passagem aérea | +9,82% | dentro de Transportes |
| Grupo Transportes | +0,60% | 0,12 ponto |
| Tomate | +20,76% | dentro de Alimentação |
| Arroz | +2,39% | dentro de Alimentação |
| Carnes | +1,30% | dentro de Alimentação |
| Grupo Alimentação e bebidas | +0,40% | alimentação em casa: +0,38% |
| Despesas pessoais | +0,96% | |
| Artigos de residência | +0,55% | |
| Comunicação | +0,54% | |
| Vestuário | +0,41% | |
| Saúde e cuidados pessoais | +0,13% | |
| Educação | +0,03% | |
| IPCA-15 de setembro | +0,70% | 4,47% em 12 meses |
Do lado das quedas: feijão-carioca (-6,33%), cebola (-4,41%) e café moído (-1,36%). Impacto medido em pontos percentuais sobre a variação total do mês. Fonte: IBGE, IPCA-15 de setembro de 2026, divulgado em 25 de setembro.
O que isso muda no seu bolso
Seis de cada dez centésimos da alta, 0,43 ponto dos 0,70, vieram de dois grupos que chegam todo mês sem depender de escolha: Habitação, puxado pela luz, e Transportes, puxado pela passagem aérea. Quem viu a fatura de luz cair em agosto vai ver a de setembro voltar ao valor cheio, 7,42% acima do mês anterior. No supermercado, o efeito total é menor (alimentação em casa subiu 0,38%), mas concentrado em itens de consumo diário, tomate, arroz e carnes, que pesam mais para quem gasta a maior parte da renda com comida.
Para quem investe, o dado chega numa semana em que o Banco Central já havia sinalizado cautela. A ata do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) publicada na terça-feira citava expectativas de inflação acima da meta como motivo para não prometer o sexto corte da Selic. Uma prévia acima de todas as estimativas, com o acumulado a três centésimos do teto, é o tipo de número que segura a Selic em 13,75% por mais tempo. Para renda fixa pós-fixada, isso significa mais tempo rendendo perto desse patamar. Quem esperava juros caindo rápido para travar prefixado tem, a partir de hoje, um argumento a menos para esperar.
Fontes
- IPCA-15 de setembro de 2026, variação de 0,70% no mês, 3,82% no ano e 4,47% em 12 meses, com abertura por grupos e itens: IBGE, divulgado em 25 de setembro de 2026.
- Mediana das projeções de 0,53% e intervalo de 0,45% a 0,66%: levantamento de mercado citado por InfoMoney e O Povo, 25 de setembro de 2026.
- Fim do bônus de Itaipu nas faturas de energia e queda de 6,25% da energia elétrica em agosto: IBGE, IPCA-15 de setembro de 2026.
- Meta de inflação de 3,00% ao ano com tolerância de 1,50 ponto percentual: Conselho Monetário Nacional (CMN).
- Ata do Copom de 22 de setembro de 2026 e Selic em 13,75% ao ano: Banco Central do Brasil.