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Cenário e atualidade

Super Quarta. Copom deve cortar e Fed deve subir juros no mesmo dia

O Brasil corta, os Estados Unidos sobem. Hoje é dia de "Super Quarta", com Copom e Fed decidindo juros ao mesmo tempo, em direções opostas, um movimento raro que estreita a diferença entre as duas taxas.

Fran Romancini

Fran Romancini

Educadora Financeira · CPA-20 · 20 anos no sistema financeiro

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Super Quarta. Copom deve cortar e Fed deve subir juros no mesmo dia. Selic cai, Fed sobe pela 1ª vez desde 2023.

O que aconteceu

Nesta quarta-feira, 16 de setembro de 2026, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) e o Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) divulgam suas decisões de juros no mesmo dia, o que o mercado chama de "Super Quarta". O resultado das duas decisões só sai à noite, mas a expectativa já move o mercado desde a manhã.

No Brasil, a expectativa é de um quinto corte consecutivo de 0,25 ponto percentual na Selic, que sairia de 14,00% para 13,75% ao ano. O ciclo de cortes começou em março de 2026, quando a Selic saiu de 15,00% para 14,75%, depois de um ciclo anterior de sete altas seguidas, entre setembro de 2024 e junho de 2025.

Nos Estados Unidos, a expectativa é oposta: alta de 0,25 ponto percentual nos juros do Fed, que sairiam da faixa de 3,50% a 3,75% para 3,75% a 4,00% ao ano, a primeira elevação desde 2023. O Fed vinha mantendo a taxa parada nas reuniões de abril e julho deste ano, enquanto esperava a inflação americana ceder, o que não aconteceu no ritmo projetado.

O número que importa

As duas maiores economias do continente devem se mover em direções opostas no mesmo dia: o Brasil reduzindo o custo do crédito pelo quinto mês seguido, os Estados Unidos aumentando pela primeira vez em três anos. Esse movimento estreita o diferencial de juros entre os dois países, a diferença entre quanto rende aplicar em cada uma das duas moedas.

O que isso muda no seu bolso

Um diferencial de juros menor entre Brasil e Estados Unidos tende a deixar o real menos atrativo para quem move dinheiro entre países em busca de juro mais alto, o que pressiona o câmbio. Some isso ao ciclo de cortes que já dura cinco reuniões seguidas no Brasil: quanto mais essa sequência avança, menor o espaço para travar uma taxa prefixada alta antes que ela desapareça do mercado. Para quem está decidindo entre prefixado e pós-fixado, essa Super Quarta é o tipo de dia que pesa dos dois lados da conta ao mesmo tempo.

Fontes

  • Reuniões do Copom e do Fed marcadas para 16 de setembro de 2026, coincidindo na "Super Quarta": cobertura SpaceMoney e Piranot, 16 de setembro de 2026.
  • Expectativa de corte de 0,25 ponto percentual na Selic, de 14,00% para 13,75% ao ano: cobertura O Tempo, 15 de setembro de 2026.
  • Início do ciclo de cortes em março de 2026, com a Selic saindo de 15,00% para 14,75%, após sete altas consecutivas entre setembro de 2024 e junho de 2025: cobertura especializada, setembro de 2026.
  • Expectativa de alta de 0,25 ponto percentual nos juros do Fed, de 3,50%-3,75% para 3,75%-4,00% ao ano, com 86,5% dos analistas segundo a ferramenta FedWatch do CME Group: cobertura Blocktrends, 16 de setembro de 2026.
  • Fed mantendo os juros parados nas reuniões de abril e julho de 2026, aguardando queda da inflação americana: cobertura pública, 2026.

Sobre a autora

Fran Romancini passou 20 anos dentro do sistema financeiro e hoje ensina do outro lado da mesa. Conheça a história completa.

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