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Cenário e atualidade

Copom eleva projeção de inflação para 2027, mesmo com IPCA negativo em agosto

O IPCA de agosto veio negativo, -0,32%. Ainda assim, a expectativa de inflação para 2027 subiu pela terceira semana seguida, para 4,28%. O motivo está no jeito como o regime de meta contínua do Banco Central funciona.

Fran Romancini

Fran Romancini

Educadora Financeira · CPA-20 · 20 anos no sistema financeiro

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Copom eleva projeção de inflação para 2027, mesmo com IPCA negativo. Ata: sem promessa de novo corte da Selic.

O que aconteceu

Nesta terça-feira, 22 de setembro, o Banco Central divulgou a ata da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) de 15 e 16 de setembro, a mesma que cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano, o quinto corte seguido desde março. O texto trouxe um recado que pegou parte do mercado de surpresa: mesmo com o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, a inflação oficial do país) registrando deflação de 0,32% em agosto, preços em média caindo naquele mês, o Copom classificou o cenário como de "aumento significativo da incerteza" e reforçou a preocupação com a desancoragem das expectativas de inflação, principalmente para 2027 e 2028.

O número que importa

A explicação para o aparente contrassenso está no regime de meta. Desde a mudança promovida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), a meta de inflação de 3,00% ao ano, com banda de tolerância entre 1,50% e 4,50%, deixou de ser avaliada por ano-calendário e passou a ser contínua, medida pelo acumulado projetado para os 24 meses à frente. Um mês de deflação isolado, como agosto, pesa pouco perto do que o mercado projeta para os dois anos seguintes.

E o que o mercado projeta segue subindo. A expectativa de inflação para 2027, segundo o Boletim Focus (pesquisa semanal do Banco Central com projeções de bancos e casas de análise), foi revisada para cima pela terceira semana seguida, agora em 4,28% ao ano, dentro do teto de 4,50%, mas bem acima do centro da meta de 3,00%. Para 2026, a projeção está em 4,90%. Na ata, o Copom classificou o balanço de riscos como assimétrico para cima, ou seja, considera mais provável que a inflação surpreenda para cima do que para baixo.

O que isso muda no seu bolso

O mercado já reagiu. Nesta terça, os juros futuros (contratos de DI, que precificam a expectativa de Selic em prazos futuros) ficaram estáveis nos vencimentos mais curtos, mas subiram nos prazos médios e longos. O contrato para janeiro de 2029 foi de 13,712% para 13,760%, e o de janeiro de 2031, de 13,912% para 13,960%. Parte do movimento veio do dólar mais forte, mas a mensagem de fundo é a mesma da ata: o Copom não prometeu o sexto corte seguido.

Para quem está decidindo entre prefixado e pós-fixado, essa é a peça de informação que faltava depois da Super Quarta. Um prefixado de prazo mais longo, travado hoje, carrega o risco de perder valor com marcação a mercado se os juros futuros continuarem subindo, o mesmo mecanismo que explica por que o Tesouro Selic oscila, e por que o pacote fiscal anunciado na semana passada já havia mexido nesses mesmos juros longos antes da ata sair.

Fontes

  • Ata da reunião do Copom de 15 e 16 de setembro de 2026, divulgada em 22 de setembro: Banco Central do Brasil.
  • IPCA de agosto de 2026 com deflação de 0,32%: IBGE.
  • Meta de inflação de 3,00% ao ano, banda de tolerância de 1,50% a 4,50%, regime de meta contínua avaliado em 24 meses: Conselho Monetário Nacional (CMN).
  • Projeções do Boletim Focus para o IPCA, 4,90% em 2026 e 4,28% em 2027, terceira revisão semanal seguida para cima: Banco Central do Brasil, Boletim Focus, setembro de 2026.
  • Juros futuros (DI) para janeiro de 2029 e janeiro de 2031 após a divulgação da ata: cobertura de mercado, 22 de setembro de 2026.

Sobre a autora

Fran Romancini passou 20 anos dentro do sistema financeiro e hoje ensina do outro lado da mesa. Conheça a história completa.

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