Petróleo sobe 2% após ataque à Ilha de Larak
O petróleo Brent subiu cerca de 2% nesta segunda, depois de os Estados Unidos atacarem uma ilha iraniana no Estreito de Ormuz. A notícia chega às vésperas de o Copom decidir a Selic, em 15 e 16 de setembro.
Fran Romancini
Educadora Financeira · CPA-20 · 20 anos no sistema financeiro
Publicado em
Atualizado em
O que aconteceu
Neste domingo, 30 de agosto de 2026, forças dos Estados Unidos atacaram dois lançadores no território da Ilha de Larak, no Irã, dentro do Estreito de Ormuz. O Irã respondeu nesta segunda-feira, 31 de agosto, com bombardeios na Jordânia. O Estreito de Ormuz é a passagem por onde circula parte relevante do petróleo negociado no mundo, e é por isso que qualquer tensão nessa região move o preço do barril quase em tempo real.
O número que importa
O petróleo Brent, referência internacional do preço do barril, subiu cerca de 2% na madrugada desta segunda-feira, 31 de agosto de 2026, e chegou a US$ 89,87 às 4h33 no horário de Brasília, segundo o Poder360. O valor segue em movimento ao longo do dia, como é comum em qualquer commodity negociada continuamente.
O que isso muda no seu bolso
O petróleo mais caro pressiona o Brasil por dois caminhos ao mesmo tempo: o preço dos combustíveis, calculado com base na cotação internacional, e o câmbio, porque episódios de tensão geopolítica costumam levar dinheiro para ativos considerados mais seguros e enfraquecer moedas de países emergentes como o real. Os dois caminhos juntos empurram a inflação para cima.
Essa notícia chega num momento específico do calendário. O Copom, o comitê do Banco Central que define a Selic (a taxa básica de juros do país, hoje em 14,00% ao ano), se reúne em 15 e 16 de setembro. Parte do mercado vinha projetando espaço para um novo corte. Um choque de petróleo no meio do caminho é exatamente o tipo de fato que reabre essa dúvida, porque o Banco Central olha a inflação futura antes de mexer nos juros.
Isso importa para quem está decidindo agora entre um título prefixado e um pós-fixado na renda fixa. O prefixado trava a taxa de hoje até o vencimento, independente do que o Copom decidir depois. O pós-fixado, atrelado ao CDI (o indicador que acompanha a Selic), segue a taxa básica para onde ela for, para cima ou para baixo. Qual dos dois rende mais só se confirma no vencimento, e recomendar um deles específico não é o papel deste texto. O dado concreto é outro: a distância entre corte, pausa e alta de juros ficou menos previsível nas próximas duas semanas, e esse é o tipo de informação que pesa antes de travar um prazo longo num prefixado.
Fontes
- Ataque à Ilha de Larak e resposta do Irã na Jordânia: CNBC, 31 de agosto de 2026.
- Cotação do petróleo Brent, alta de cerca de 2% para US$ 89,87: Poder360, 31 de agosto de 2026, 4h33 (horário de Brasília).
- Taxa Selic em 14,00% ao ano: Banco Central do Brasil, série 432, consultada em 31 de agosto de 2026.
- Calendário de reuniões do Copom em 2026, com a reunião de 15 e 16 de setembro: Banco Central do Brasil.